quinta-feira, 14 de junho de 2018

Jogo de Copa do Mundo na TV sueca

Hej,

Hoje começou a Copa do Mundo da Rússia. Como brasileira que ama futebol, já estou me programando pra assistir o máximo de jogos possível.

Já havia assistido alguns jogos de outras ligas europeias na TV sueca, então já estava preparada quanto à narração - ou a falta dela (rs).

Felizmente, cheguei em casa do trabalho a tempo do início do jogo, que era 17h aqui na Suécia. Usando o site www.tv.nu, eu já sabia qual canal iria televisionar o jogo, então cheguei e liguei a TV direto no canal.

Comeeeeça o jogo (Russia vs Arábia Saudita). Assisti tudo com a narração padrão sueca, ou seja, nada de emoção, poucas palavras, quase nunca o nome dos jogadores é citado, mas para mim, o que mais faz falta é o fato que não haver o grito de GOL. Não pelo grito, mas nem ao menos a menção de que houve um gol na partida. E foi assim durante os 5 gols que a Rússia fez na partida.

Quando chegou o intervalo do jogo, resolvi aproveitar o tempo e ajeitar umas coisas na casa, preparar uma comidinha, antes que o segundo tempo começasse. Percebi que, no canal que eu estava assistindo, começou a passar o telejornal com as notícias do dia. Até aí, nada demais, afinal, estavam apenas aproveitando o intervalo, correto? Só que não! O canal simplesmente parou de passar o jogo, começou com as notícias e não voltou mais a passar o jogo.

Percebi que este intervalo estava longo demais. Até que sentei em frente à TV e comecei a passar os canais. Foi assim que encontrei o segundo tempo passando em outro canal. E nisso, eu já havia perdido 15min de jogo.

Coisas de Suécia - logo pensei. 

Pensamentos após esta primeira partida:
- Preciso ficar atenta ao intervalo dos jogos, caso eles decidam parar o jogo para outra programação.
- Uma boa narração faz muita falta.
- Como será o jogo do Brasil sem o Galvão? (rs)

Vi ses!

Priscilla

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Série: Tirando minha carteira de motorista sueca - Parte 3

Hej,

Depois de um período longe do Blog, principalmente pelo fato de estar me dedicando à carteira de motorista, hora de voltar ao diário!

O curso Riskettan precisa ser agendado por intermédio de uma auto-escola, mesmo que se escolha fazer todas as etapas da carta de motorista por conta própria. Eu diria que esta fase de cursos teóricos se assemelha ao CFC brasileiro, porém, mais curto e mais dinâmico.

Valor pago pelo curso: 495 SEK.

Felizmente, quando fiz o curso eu tinha a companhia da amiga brasileira Luiza. E digo felizmente, porque como já dirijo (e ela também) pudemos trocar ideias e fazer com que o curso fosse menos desgastante, principalmente porque o curso é todo feito em sueco. Pois é, apesar de poder escolher as aulas práticas em outras línguas (no meu caso o inglês), assim como o livro para estudos e as provas, os cursos teóricos são todos feitos em sueco. 

O meu nível de sueco não é lá essas coisas, mas pude acompanhar bem o curso. Fato é que boa parte do curso inclui imagens e vídeos e o tema também não é novidade para motoristas experientes. Para mim, foi mais uma questão de protocolo e entender mais a questão cultural, do que de "aprender" que não se deve dirigir sob influência ou quando se está cansado, por exemplo.

O mais importante é que mais uma etapa é concluída e a carta está cada dia mais perto.

Valor total gasto até o momento: 1.435 SEK.

Vi ses.

Priscilla

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Série: Tirando minha carteira de motorista sueca - Parte 2

Hej,

Hora de ir até a auto-escola para esclarecer e agendar os próximos passos.

Chegando lá, a informação que me foi passada foi a seguinte:

- por já ter carteira de motorista válida em outro país, eu tive de agendar uma "aula teste", que consiste em dirigir com um instrutor, para que ele averiguasse o que eu preciso melhorar para a prova prática e também para que eles tivessem uma ideia de quantas aulas práticas seriam necessárias. 
Valor da aula teste: 690 SEK;

Aula Teste

Dia da aula teste de direção. Confesso que após 14 anos dirigindo, ter de fazer aula de direção é um pouco frustrante. Por outro lado, sei que dirigir em outro país e com outras regras e placas, exige uma certa atualização por minha parte. O clima não me ajudou muito, pois justamente no dia da minha aula nevou (e estava nevando) muito e o asfalto encoberto estava extremamente escorregadio.

Alguns pontos importantes levantados durante minha aula teste:

- Os carros das auto-escolas e os carros das provas práticas são à diesel. Eu estava acostumada a dirigir carro a gasolina. No frio, o carro à diesel leva mais tempo para esquentar, então, o tempo de troca das marchas é mais longo.

- Olhar mais para os lados. Depois de muitos anos dirigindo, é comum usar mais os espelhos do carro. Além disso, desenvolve-se uma visão periférica que faz com que não seja preciso virar a cabeça para enxergar o que acontece nos arredores. Pois bem, neste momento, esqueça tudo o que se aprendeu e incorpore um iniciante. Esta foi a dica que recebi. O instrutor quer ver o quão cautelosa eu sou, por isso, devo sempre virar a cabeça para olhar as ruas que cruzam, as faixas de pedestre, os arredores.

Próximo passo: Agendar o curso teórico chamado Riskettan.

Valor total gasto até o momento: 940 SEK.

Vi ses!

Priscilla

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Série: Tirando minha carteira de motorista sueca - Parte 1

Hej!!

Hoje, o tema é: Carteira no Motorista na Suécia!

Começo aqui minha série sobre a minha experiência em obter a carteira de habilitação sueca. A carteira international que tiramos antes de vir para a Suécia é válida apenas por 1 ano em território sueco. Depois deste período, é obrigatório dirigir com uma habilitação nacional.

O processo para obter uma habilitação sueca não é rápido, então deixar para o último minuto não é uma boa opção. Além disso, sabe-se que as provas são bem difíceis, que o nível exigido é alto, e que custa caro. Então, tem que se preparar bem!

Vou contar em partes a minha experiência de tirar a carteira e quais os passos que foram solicitados a mim, como uma motorista vinda do Brasil.

1 - Dar entrada no processo

Eu ainda estou iniciando meu processo, então tudo começa com solicitar um formulário ao Travikverket (órgão responsável por transporte e tráfego na Suécia). Eu entrei no site, peguei o número de telefone e liguei para solicitar o formulário. Este formulário também está disponível no site

Como eu liguei solicitando, este formulário chegou em casa pelo correio, já contendo também um boleto de 150 SEK para pagamento do início deste processo.

Neste formulário, devo preencher minhas informações sobre saúde (mental e física), como doenças pré-existentes, epilepsia. Também questões sobre uso de álcool e drogas.

Além do formulário preenchido, também é necessário fazer um teste de vista, que pode ser agendado em qualquer ótica, e custa 100 SEK.

Com o formulário preenchido e o teste de vista em mãos, enviei esta documentação de volta para o Travikverket para que eles analisassem e me autorizassem a dar entrada no processo de obter a carta de motorista.

Isso mesmo, até o momento, fiz tudo isso apenas para solicitar uma autorização.

Aproximadamente 10 dias depois, recebi uma carta com um número de autorização para dar entrada no processo e uma senha eletrônica.

Então, com este papel, eu fui até uma auto-escola da minha cidade para dar entrada e agendar os primeiros processos desta jornada. 

Valor total gasto até o momento = 250 SEK

Vi ses!

Priscilla

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Sobrevivendo à Escuridão

Hej,



O outono já passou por aqui e agora estamos no início do inverno.

Quando resolvi vir para a Suécia, meu grande medo era o frio e o inverno.

Logo pensava em temperaturas muito baixas, vento, toneladas de neve. Passando pelo segundo inverno desde a minha chegada, confesso que minha maior dificuldade aqui se tornou a escuridão.

A cidade em que eu moro não atinge temperaturas negativas tão baixas com frequência, então este medo foi superado. Nos últimos 2 invernos, não tem nevado tanto nem com tanta frequência, então não há tanta neve pelas ruas, mas sim uma leve cobertura branca. Quase não venta no inverno. Então, estaria tudo sob controle, se não fosse pela escuridão.


Caminho congelado
Foto: Arquivo Pessoal


Passei por dias em que havia apenas 4 ou 5 horas de claridade, e em seguida, uma grande escuridão tomava conta da paisagem.

Hoje, o sol nasce por volta de 8:40h e se põe por volta de 15:00h. Estamos ganhando aproximadamente 1,5h de claridade por semana.

Aos poucos melhorando, o problema é que este processo de escuridão começa em novembro, então já são mais de 2 meses assim e ainda não acabou. Chega a hora em que a gente simplesmente não aguenta mais.

Eu não imaginava direito o que era a escuridão e nem achava que seria um problema, até conhecê-la. Quando digo escuridão, lê-se completamente escuro, preto. É difícil até de enxergar. 



Estacionamento do trabalho às 16h.
Foto: Arquivo Pessoal



E então, começam a aparecer os sintomas relacionados a este período do ano: sonolência, depressão. Tem dias em que eu, particularmente, sinto sono o dia todo. Sinto dificuldades de acordar e começar o dia. É aquela sensação diária de ter de pegar no tranco. Há dias em que o cansaço toma conta, e preciso fazer uma força imensa pra não ficar somente dentro de casa. Hoje, eu entendo porque muitos suecos tiram 1 semana de férias neste período para viajar para algum lugar quente. Hoje, eu entendo que mais do que quente, o importante para eles é a claridade, o sol, a vitamina D natural.

Algumas providências podem ser tomadas para amenizar: comprar luzes especiais para dentro de casa; ascender velas; tomar vitamina D; fazer banhos de luz. Tudo ajuda muito. No entanto, o principal é ter consciência destes sintomas e querer lutar contra eles. Ou seja, fazer aquele esforço a mais pra sair de casa (principalmente quando o sol aparece); não se isolar; praticar esportes.

Até porque, logo mais o sol estará de volta!

Vi ses!

Priscilla

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O clima de trabalho na empresa

Hej,

Depois de 7 meses trabalhando, hoje, venho falar um pouco da minha opinião sobre o clima na empresa e sobre como está sendo trabalhar em outro país.

No escritório, o que mais me chamou atenção foi o silêncio (aliás, a Suécia é bastante calma e silenciosa). Claro, que há conversas, ligações, barulho de teclado digitando, mas mesmo assim, não é muito. Na empresa eu trabalho, não há telefone fixo – aquele ramal que fica em cima da mesa –, todos tem um celular que funciona como ramal e também como celular da empresa. Acredito que isso ajude a diminuir bastante o barulho. Afinal, o celular está geralmente num volume de toque mais baixo e está sempre com o responsável pela linha/aparelho. Também está sendo interessante poder trabalhar em pé. Como assim? Pois é, todas as mesas tem o sistema de regulagem, então, quando estou cansada e ficar sentada ou mesmo quando há mais alguém na minha mesa para fazermos algum trabalho em conjunto, consigo trabalhar em pé. Não vejo também um serviço de limpeza frequente. Claro que há os responsáveis por recolher o lixo, mas cada um arruma e limpa sua mesa.

Como já era esperado, o relacionamento com os colegas é construído de forma bem lenta. Claro, que todos sempre recebem bem, mas isso não significa ser amigo e participar de todas as conversas. No meu caso, a língua também é um barreira. Como nem sempre eles estão afim de falar inglês, eu acabo ficando de lado em algumas ocasiões. Mas, é claro, que isso não acontece quando o estrangeiro é uma pessoa que tem um cargo maior na empresa. Afinal, o sueco não é louco, não é mesmo. De qualquer forma, eu já aprendi a não contar um livro sobre “Como foi meu final de semana”, pois como resposta, eu sempre recebo um “O meu foi bom, nada de especial”. Ou seja, a pessoa não quer dividir a intimidade, mesmo que de forma superficial. Para mim, é um pouco frustrante, porque olho à minha volta e percebo que não conheço ninguém.

Na minha função, é muito tranquilo trabalhar usando somente a língua inglesa. Tirando os momentos sociais (como: fika, almoços, jantares), eu nunca fui demandada pela língua sueca. E isso tem um lado bom e um lado ruim. O lado bom é que consigo praticar, aprender e desenvolver meu inglês.  O lado ruim é que o meu sueco fica parado, então a dedicação nos estudos precisa ser intensificada.

Além disso, sinto que a forma como os suecos lidam com o trabalho é um tanto diferente. O trabalho é importante, mas ele trabalham para viver, e jamais vivem para trabalhar. Se o sol está brilhando e o dia está quente, eles saem do trabalho mais cedo para aproveitarem o dia. Se não estão passando bem, eles ficam em casa para se recuperarem. Tudo sem crise e sem o chefe pensar que é “corpo mole”, é simplesmente natural.


De modo geral, posso dizer que tem sido uma experiência incrível. Sinto que posso fazer muitos planos de carreira. Já aprendi a não me importar tanto quando não fazem questão da minha participação em algumas conversas (por conta da língua). E aos poucos é aprender a levar uma rotina mais leve.

Vi ses sen!

Priscilla

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A cultura do ”faça você mesmo”

Hej,

Depois de um tempo sem conseguir me dedicar ao meu Blog, hoje, consegui, finalmente, parar para escrever algo.

Resolvi falar sobre essa cultura sueca do “faça você mesmo”. Escolhi este tema, justamente, porque hoje sinto muito mais os efeitos dessa cultura em minha rotina.

E quando eu digo “faça você mesmo”, quer dizer: “faça TUDO você mesmo”.
E não quero dizer apenas sobre os móveis do IKEA, que já são famosos por virem desmontados e com o manual para nós mesmos montarmos.

No Brasil, estamos acostumados a ter diversos tipos de serviços, que facilitam muito nossa vida e que, de modo geral, tem preços acessíveis.
Na Suécia, alguns serviços são difíceis, pra não dizer raros, de se encontrar.

Agora, vou citar meus exemplos, que estão diretamente ligados à minha rotina.

Sempre trabalhei fora de casa e, por este motivo, sempre tive uma pessoa (uma anja da guarda) para me ajudar com os cuidados da casa. Pois bem, aqui, além de trabalhar fora, temos que fazer o trabalho da casa também. Ou seja, algumas horas de algum dia serão dedicadas à faxina! Isso não significa que este tipo de serviço não exista por aqui. Existe sim, mas há algumas considerações. Primeiro, o serviço oferecido é um pouco diferente. Cobra-se por horas de serviço e a faxina é no estilo sueco, ou seja, aspirador e sprays de limpeza. Confesso que para meus padrões, não é suficiente, então eu mesma a faço. Segundo, o valor é bem alto para estes serviços. É comum ouvir que os suecos contratam esporadicamente a limpeza. Aliás, serviço à parte, eles acham um absurdo o quanto de tempo gastamos para manter a casa limpa e organizada.

Aqui fica minha primeira reflexão: talvez eu também devesse rever meus valores e pensar em investir meu tempo no que realmente vale à pena.

Serviço de entrega nos restaurantes.
Como era bom pedir aquela pizza e esperar a entrega!!
Na minha cidade, não encontrei nenhuma pizzaria assim. Encontrei um serviço de delivery para sushi, apenas.
Sabe, aquele momento que não estamos a fim de cozinhar e queremos pedir algo? Pois é, nem sempre rola (pra não dizer quase nunca).
Além disso, como comer fora aqui pode ser bem custoso, a frequência diminui também.

E aqui fica minha segunda reflexão: será que este é um modelo que funciona aqui exatamente pela cultura de fazer tudo por si só? Eu mesma faço a comida ou eu mesma posso comprá-la pessoalmente?

Bem, fato é: muitas vezes me fico aborrecida com esse costume daqui, mesmo tenho a consciência de que sou eu que preciso me adequar, pois não estou no meu país.

Até a próxima!

Vi ses!


Priscilla

quarta-feira, 3 de maio de 2017

1 ano de Suécia


Hej!


Depois de algum tempo sem escrever por conta da correria da nova rotina de trabalho, hoje, resolvi parar tudo para refletir sobre este meu primeiro ano na Suécia.
Cerejeiras em Estocolmo
Foto: Arquivo Pessoal
Há um ano atrás, eu aterrissava em terras escandinavas sem saber direito o que me esperava e com o coração apertado por tudo o que ficou longe de mim.

Em resumo, um ano de muitas descobertas.

Descobri o quanto dói a distância; o quanto gostava da minha vida, da minha rotina, da minha casa.

No entanto, também descobri que sempre é tempo de redescobrir e recomeçar. Nada é fácil, mas se não dermos uma chance, não saímos do lugar.

Lembro-me bem de como minhas primeiras semanas foram difíceis. Certamente, eu não conseguia disfarçar (também acho que não tentei) a minha tristeza. Sim, eu estava triste por estar longe. Nem todo mundo faz uma mudança dessas e chega com pique total. Conhecer a cidade que eu moro e, até mesmo, Estocolmo foi catastrófico nos meus primeiros dias. E as fotos não negam: minha cara estava péssima.

Porém, tirando toda essa parte chata da minha introdução e da distância, tem sido uma grande experiência! Durante este período eu pude:

  • Aprender a lidar com minhas dificuldades;
  • Aprender a lidar com a distância;
  • Fazer novos amigos, que acabaram se tornando a minha família na Suécia;
  • Cozinhar pratos diferentes e testar receitas;
  • Conhecer culturas diferentes;
  • Iniciar meus estudos em uma língua diferente;
  • Saber quem são os meus amigos de verdade, afinal a distância mostra muita coisa;
  • Entender melhor os meus limites;
  • Conhecer a liberdade de ir e vir;
  • Conhecer a neve;
  • Aprender novas formas de falar, de me vestir;
  • Começar um trabalho diferente num país diferente.

Passou muito rápido. E com muito companheirismo, a gente segue firme e forte todos os dias, com todos os desafios que a vida vai nos proporcionando.

O saldo me parece positivo.

Certamente, eu faria tudo de novo. Talvez, mudasse algumas coisas ou a forma como algumas coisas aconteceram. Mas digo isso hoje por já ter tido a experiência, então fica fácil.

Expandir os horizontes é sempre incrível.

Valeu 1 ano, por tantas experiências e tanto aprendizado!

Vi ses!

Priscilla